quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Amanhecer

(Imagem: Pinterest)

Poeta e contista brasileiro, Pedro du Bois é autor de poema intitulado 'Amanhecer', no qual fustiga a inquietude do nada que representamos diante de uma imensidão desconhecida e infinita, permeável pela imaginação e pela Fé. “Em que hora da pré-história / tivemos o primeiro beijo / entrelaçamos as mãos / e trocamos olhares?”.

Desde a névoa dos tempos, nosso pobre, imperfeito e desfigurado amor humano é o que nos divide, enquanto navegamos entre galáxias nesta imensa nave, carregando sonhos, expectativas e ilusões. Nela acordamos um dia sem o pedir, e nela seguimos criaturas marcadas pela mesma finitude que nos iguala – Homem do século 21 – ao nosso irmão do primeiro século da Era Cristã. É desde então que vimos desenhando nosso futuro, à procura do amanhecer além do entrelaçar das mãos.

Para Nélida Piñon, a vida é um campo minado. Transitar por terreno tão traiçoeiro requer de nós o sentimento ao qual não somos inclinados por natureza – ou seja, o amor, que nossa miséria tende a corroer, desfigurando-o como desfiguramos a Verdade.

Fernando Lébeis falou das “coisas mágicas que chegam, fascinam e depois lá se vão, levando um pouquinho da gente”. Perdidos no labirinto de frívolas urgências e informações caprichosamente inúteis, vagamos não raro por noites sem fim, na expectativa do verdadeiro amanhecer que o desamor nos oculta. “A mesma Sabedoria que bruxuleia em mim, rasga a minha nuvem e encobre-me de novo, quando desanimo por causa da escuridão e do peso das minhas misérias”, escreveu Santo Agostinho.

“Quando começamos a amanhecer?” – é a pergunta que Pedro du Bois nos deixa ao final de seu belo poema.

Apesar do extraordinário drama da aventura humana, a esperança que carregamos conosco, de alguma forma, nos leva a encarar o amanhecer das descobertas como prenúncio de definitiva aurora.

2 comentários:

Célia Rangel disse...

"Amanhecer" é sempre fascinante... Desde que tenhamos a consciência do inconsciente que queremos... Renovar-se revitalizando sonhos em reais projetos. Estaríamos prontos para isso?
Abraço.

Pedro Du Bois disse...

Grato, caro Eduardo, pela inserção do meu poema em texto significativo, oportuno e, desde sempre, verdadeiro em relação ao tratamento que damos e em que esperamos o amanhecer da nossa humanidade. Abraços.