domingo, 31 de dezembro de 2017

Desejos


(Imagem: Pinterest)

Menos massacre por parte da mídia, mais respeito à inteligência do telespectador. No ano novo, merecemos a qualidade que os meios de comunicação social nos devem.

Sendo inevitável conviver com a mentira, possa a sabedoria ajudar-nos a identificar os mentirosos, desviando-nos de seus caminhos. A começar pelos políticos, a serem fiscalizados, cobrados e denunciados com a mesma devoção com que fraudam e mentem.

Menos sofreguidão dos ricos para enriquecerem mais, compensada por momentos de reflexão sobre o peso que sua ambição representa na vida de uma multidão incontável de pobres e miseráveis. A severidade na cobrança será tão certa quanto sua ilimitada ganância.

Menos a culpa é deles e mais vamos fazer a nossa parte, como resposta à urgência na preservação do meio ambiente, em reação à estonteante estupidez a que, comodamente, nos atrelamos.

Menos discurseira inútil visando o lucro e a urna em torno de temas como racismo, diversidade de gêneros e empoderamento feminino. E mais atitude e respeito em defesa de todos – maiorias e minorias.

Mais acolhimento e valorização à experiência dos idosos; mais cuidado e dedicação à educação dos jovens; mais compaixão e ternura com as crianças. Elas herdarão o ônus de um futuro sombrio, graças à irresponsabilidade do nosso egoísmo.

Mais olho-no-olho e menos olho-no-próprio-umbigo, com polegares digitando compulsivamente rios de bobagens lançadas em profusão nas redes sociais.

Menos violência em relação às pessoas e – por que não? – à pobre Língua Portuguesa, desfigurada e trôpega diante de tantos maus tratos.

Menos arrogância, mais simplicidade e mais verdade.

Começando já, e estendendo-se por todo o ano de 2018 e seguintes.

domingo, 17 de dezembro de 2017

Ruínas

(Imagem: Pinterest)

Lá se vai a casa, demolida para cumprir ordem urgente dos tempos que, indiferentes ao bem-estar dos viajantes, abalam a nave dos costumes, arrastando consigo pessoas, casas e cidades. Em algum lugar, que fingimos infantilmente distante, tentamos abandonar um passado com cara de vergonha e inutilidade.
Pois lá se vai a casa de histórias surpreendentes, de risos e de sonhos. O teto que agora é demolido encobriu momentos de dor, descobertas, encontros e desencontros. Entre as paredes cinzentas elevaram-se preces aflitas para confortar e agradecer. Olhos sorridentes nas chegadas cerraram-se em lágrimas nas partidas, recolhidas ao silêncio dos corações.
A pressa que devotamos à tecnologia, reverentes aos apelos sedutores do mercado, ameaça fazer de nós seres ansiosos em virar páginas de nossa história. Queremos saltar etapas, deixando para trás sonhos antigos, amores eternos, mãos estendidas, amizades para toda a vida. Para frente é que se anda!
Talvez ainda seja possível crer que paredes que tombam numa nuvem de pó e de lembranças não levem junto histórias de vida. Histórias que o passado cuidadosamente atou ao alicerce de valores impiedosamente devastados.
Bastará, para isso, um fiozinho que seja de humana generosidade.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

De novo, a Esperança...

(Imagem: Pinterest)



Renova-se o tempo em que, pelas luzes natalinas, recorremos com habitual sofreguidão a palavras como paz e esperança.
É certo que já desejamos as luzes do Natal em clima de mais encanto e verdade. E elas chegavam de mansinho, amanheciam lentamente no coração da gente. Traziam com elas sons de música suave e de vozes em coro, anunciando um Natal com cheiro do pinheirinho ‘plantado’ em lata com areia e enfeitado com o brilho incomparável das bolas de vidro finíssimo.
O presépio de outros natais falava de fé e humildade aos corações. Era ele que, nos grandes e coloridos cartões que auxiliavam na preparação do Advento, se revelava por último ao se abrirem as portas de uma casa enfeitada e de muitas janelas, abertas uma por dia até o dia 24 de dezembro. Atrás de cada janelinha escondiam-se pequenas figuras como a de uma caixa enfeitada com laço, uma borboleta ou um passarinho.
Naqueles natais exercitava-se a esperança, mesmo sem a exata noção de que o humano e pífio esforço para ser melhor poderia desmoronar mais adiante. E quando isso acontecia, o Espírito do Natal recompunha as coisas em seus devidos lugares, tratando de assegurar paz, alegrias e renovando... a Esperança. Esperança boa, que dá vida curta aos desencantos e os faz breves como os da infância.
Às vésperas de celebrarmos mais uma vez o mistério do Natal, é essa esperança, que se revigora na humildade e na gratidão, que precisamos fortalecer. Hoje talvez mais que nunca, tantos e tão devastadores os desencantos e a desagregação que se alimentam da farsa e da mentira.
Ao invés de Black Fridays, tenhamos todos mais luminosos e iluminados dias.
Repletos de verdadeira esperança e duradoura paz.

Amanhecer

(Imagem: Pinterest ) Poeta e contista brasileiro, Pedro du Bois é autor de poema intitulado 'Amanhecer', no qual fustiga a inqu...