quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Despertar necessário

(Imagem: Pinterest

Inicio o aplicativo de músicas pela internet e sou logo advertido de que, para não ter a audição interrompida por inserções publicitárias, terei que pagar por uma assinatura. O mesmo acontece com o noticiário eletrônico de jornais e revistas que, mesmo disponibilizando conteúdo na rede mundial de computadores, barram meu acesso à informação se eu não for um assinante.

Vou à tevê em busca de informação e lazer com um nível aceitável de qualidade, mas para isso também terei que pagar. Caso contrário, ficarei confinado à mediocridade do conteúdo disponível nos canais abertos.

Nada contra pagar pela qualidade. A questão é quando parece não haver limites para a deterioração do que é gratuito. E isto em país onde Educação é bandeira que não se desfralda. Por aqui, promessas com esse objetivo não costumam ir muito além de slogans e discursos.

A época é a de que tudo se vende. Da vaguinha para estacionamento na via pública à confiança do eleitor. Do voto obrigatório à receita completa de qualquer iguaria mostrada na tevê. De graça, nem injeção na testa. Só conselho – e olhe lá. Sempre se correrá o risco de dar de frente com um número de conta bancária, antes da possibilidade de se sentir aliviado.

Possivelmente já trouxemos conosco reserva maior de confiança e esperança no futuro – nós, os peregrinos dessa gigantesca feira livre chamada Brasil, onde negócio e negociata alimentam bancas e bandos visíveis e invisíveis.

Enquanto a prioridade do discurso for a realidade que se materializa no bolso do cidadão como inconfessada meta preferencial, a última palavra – the famous last word – continuará à disposição do sonolento eleitor.

Urge acordá-lo.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Como dizia meu pai, filósofo intuitivo, "tudo o que se resolve com o dinheiro, não é problema"...
E, hoje, mais do que nunca vejo "o dinheiro" como protagonista de vidas das mais aristocráticas, poderosas, à vassalagem generalizada! Vende-se de tudo... e compra-se também... Em geral na ignorância dos fatos.
O eleitor? Ah! Esse está anestesiado.
Abraço.

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